JORNAL DA ENERGIA (SP) - 9/4/2010
Consórcios de Belo Monte seguem abertos e atraem novas empresas.
Grupos devem ser definidos até a próxima segunda-feira, 12; J. Malucelli quer 10% da usina.
A formação dos consórcios que vão disputar o leilão da usina de Belo Monte (11.233MW), marcado pelo governo para o dia 20 de abril, segue em aberto.
Nesta sexta-feira (09/04), o diretor de novos negócios da J. Malucelli Energia, Theóphilo Garcez Duarte Neto, disse com exclusividade ao Jornal da Energia que as empresas que aderiram à chamada pública realizada pela Eletronorte ainda negociam a composição dos grupos e que não há nenhum grupo fechado.
“Nós nos cadastramos na chamada pública. Estamos pensando em uma participação de 10% e vamos com um consórcio que será definido até segunda-feira (12/04). Podemos entrar em qualquer grupo”, afirmou o executivo da companhia paranaense, que admite estar em busca de parceiros autoprodutores para integrar seu consórcio e que estuda o projeto “há muito tempo”.
Além da J. Malucelli, quem também confirmou inscrição na chamada da Eletronorte foram as construtoras OAS, Serveng e Queiroz Galvão. Esta última, assim como a J. Malucelli, informou que também não integra nenhum consórcio específico. Outros nomes que foram ventilados pela imprensa, como o grupo Bertin e a empreiteira Mendes Júnior não confirmaram, nem negaram suas inscrições no processo de escolha de parcerias. A Endesa, que chegou a ser especulada como interessada, negou que estuda o projeto.
Nem mesmo o consórcio capitaneado pela Andrade Gutierrez está fechado. Este grupo, que ainda conta com a presença da Neoenergia, Vale e Votorantim, pode receber outros integrantes. A definição de quem integrará cada consórcio terá que ser feita até quarta-feira (14/04), que é quando expira o prazo concedido pela Aneel para os interessados depositarem as garantias financeiras de participação do certame.
A diretoria da Eletrobras trabalha junto às companhias inscritas no desenho do número de consórcios e na distribuição de suas quatro subsidiárias, Eletronorte, Chesf, Furnas e Eletrosul entre os participantes. O leilão terá no mínimo dois grupos concorrendo entre si, mas a existência de três consórcios não está descartada.
Segundo apurou a reportagem, grandes grupos industriais como CSN, Braskem e Gerdau ainda negociam com as empresas para integrarem os consórcios. “O fato de eles não terem atendido à chamada da Eletronorte, não quer dizer que eles estão fora dos leilões”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mário Menel.
O executivo diz que o consórcio que não tiver um autoprodutor em sua configuração terá desvantagens competitivas na licitação do megaempreendimento avaliado em R$19 bilhões. “O próprio modelo do leilão prevê a participação dos autoprodutores. Quem não tiver esses agentes, terá que compensar a tarifa do mercado cativo em somente 10% do total”, explicou, referindo-se ao montante que será destinado ao mercado livre e que terá preço diferente daquele vendido para as distribuidoras.
Surpresa
O presidente de uma grande empresa de equipamentos para usinas disse que ficou bastante surpreso quando soube o nome das empresas que se cadastraram junto à Eletronorte. “O procedimento normal de uma empresa séria que está interessada em um projeto dessa magnitude é fechar um pré-contrato de fornecimento antes de ir para o leilão. Eu só vi isso no consórcio da Andrade Gutierrez. Eu desconhecia o interesse dessas outras companhias”, afirmou à reportagem.
Para ele, a desistência das duas maiores construtoras do País, Odebrecht e Camargo Corrêa, se deu em razão das margens de lucro apertadas do projetos. “O governo negou tudo que eles pediram e eles não consideraram o empreendimento muito vantajoso”. A francesa GDF Suez e a brasileira CPFL Energia também desistiram do leilão daquela que será a terceira maior hidrelétrica do mundo em termos de potência instalada, perdendo apenas para Itaipu e Três Gargantas, localizada na China.